A nova Contribuiçã
o para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip) já foi reajustada duas vezes em 2026, mas praças e ruas dos bairros Jardim Gilda, Boa Esperança, Santa Terezinha e São Luís seguem no breu, gerando revolta e sensação de abandono.
Por Redação Voz dos Bairros | Piracicaba (SP) – O que adianta pagar uma taxa específica para ter iluminação pública de qualidade se, na prática, a escuridão continua dominando ruas e praças? Essa é a pergunta que centenas de moradores de Piracicaba (SP) têm se feito diariamente.
Mesmo com a implementação e os sucessivos reajustes da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip) em 2026, bairros inteiros da cidade vivem um verdadeiro apagão, que vai além da falta de luz: alimenta a criminalidade, afasta as famílias das áreas de lazer e impõe medo constante.
Em reportagem especial, ouvimos moradores do Jardim Gilda, Boa Esperança, Santa Terezinha e São Luís, que relatam uma rotina de tensão. Enquanto isso, a Prefeitura atribui os problemas ao vandalismo, e a população se pergunta: para onde está indo o dinheiro da Cosip?
“Quando escurece, fica complicado”: o drama no Jardim Gilda
O auxiliar de serviços gerais Sidney Oliveira, morador do Jardim Gilda, conta que ele e a esposa sempre foram assíduos frequentadores da praça do bairro.
Atualmente, porém, o casal mudou seus hábitos por causa da falta de luz.
“Eu venho, mas quase antes de escurecer, porque quando escurece já fica complicado. As pessoas não respeitam, a gente nem sabe quem está frequentando o parque também”, desabafa Sidney.
O relato é um retrato fiel do sentimento generalizado: o espaço público, que deveria ser de convívio e lazer, tornou-se um território hostil e desconhecido após o pôr do sol.
Praça do Boa Esperança: escuridão ao lado do posto de saúde
A situação se repete, de forma igualmente grave, na praça do bairro Boa Esperança.
O local, que fica ao lado de uma unidade de saúde – um ponto de referência na comunidade –, está completamente às escuras.
A falta de iluminação inviabiliza qualquer uso noturno, especialmente em uma época de calor intenso, em que as famílias buscariam áreas abertas para se refrescar.
“Não dá para trazer as crianças para brincar. Tem que vir só na parte da tarde, da manhã. De noite, assim, com esse calor, não dá”, lamenta a moradora Bruna Roberta.
O depoimento evidencia não apenas o problema da segurança, mas também a perda da qualidade de vida e da função social do espaço urbano.
Santa Terezinha: mato alto e postes apagados como convite ao crime
No Santa Terezinha, a indignação ganha contornos de alerta vermelho.
Moradores apontam que a pista de caminhada da Rua Adelmo Cavagioni tem pelo menos cinco postes com as lâmpadas queimadas.
O problema é agravado pelo mato alto que cresce ao redor das estruturas apagadas, criando um cenário perfeito para ações criminosas.
“Dá para se esconder bem ali e pegar gente de surpresa”, afirma a auxiliar de produção Roselaine Tobias, com um realismo que assusta.
Para ela, a combinação de escuridão e vegetação densa transformou a região em um ponto vulnerável para assaltos e outros delitos.
São Luís: quando a insegurança entra para dentro de casa
No bairro São Luís, o medo não fica restrito às ruas.
A auxiliar administrativa Rafaela Santos relata que uma residência localizada ao lado de uma passagem escura – um típico “beco” sem iluminação – foi invadida por criminosos.
“Já aconteceu de pularem e roubar lá dentro. Entraram lá pra dentro e roubaram televisão e micro-ondas”, conta Rafaela.
O caso ilustra como a falta de iluminação pública adequada não é um mero inconveniente estético ou de conforto: ela é um vetor direto para a escalada da violência patrimonial e contra a pessoa.
A nova Cosip: reajustes e promessas que não se concretizam
Enquanto a população vive o drama da escuridão, a Prefeitura de Piracicaba publicou, no último dia 8 de abril, um novo decreto alterando os valores da Cosip. Este já é o segundo reajuste desde o início do ano.
Para se ter uma ideia, a cobrança máxima para imóveis residenciais com consumo acima de 1.000 kWh era de R
91,73**.
A legislação municipal permite que a alíquota seja alterada mensalmente, com base em índices de preços, custo da energia elétrica e bandeiras tarifárias.
No entanto, para o cidadão comum, a conta não fecha: a taxa sobe, mas a qualidade do serviço despenca.
“A gente vai trabalhar, paga os impostos tudo certinho, mas cada vez mais fica pensando ‘o que está acontecendo?’.
Porque, em vez de melhorar, piora”, desabafa Rafaela Santos, ecoando o sentimento de grande parte da população.
O que diz a Prefeitura?
Procurada pelo G1, a administração municipal informou que atos de vandalismo são os responsáveis pela falta de iluminação pública nos locais mencionados.
Segundo a nota oficial, equipes técnicas serão enviadas aos bairros para avaliação e programação dos reparos necessários.
Embora o vandalismo seja, de fato, um problema real e recorrente em diversas cidades, a alegação levanta questionamentos entre os moradores:
- Se a Cosip foi criada exatamente para “manutenção e modernização” do sistema, por que a reposição de equipamentos danificados não é feita de forma ágil?
- Por que não há investimento em materiais mais resistentes ou em tecnologia de monitoramento para coibir as ações criminosas?
- E, principalmente: por que a população continua pagando uma taxa cada vez mais cara por um serviço que falha na sua entrega mais básica?
Conclusão: Um ciclo vicioso que precisa ser quebrado
A situação em Piracicaba expõe um paradoxo cruel: cobra-se mais do cidadão sob a justificativa de melhorar a iluminação, mas o resultado prático é o aumento da insegurança e o abandono dos espaços públicos.
Os bairros Jardim Gilda, Boa Esperança, Santa Terezinha e São Luís são apenas a ponta de um iceberg que pode ser muito maior.
Enquanto a Prefeitura e a população não entrarem em um acordo transparente sobre a aplicação eficiente dos recursos da Cosip – com cronogramas claros, metas de reparo e punição efetiva ao vandalismo –, a escuridão continuará sendo uma arma nas mãos do crime e um pesadelo na vida de quem só quer voltar para casa ou levar os filhos ao parque em segurança.
A reportagem segue à disposição da Prefeitura para esclarecimentos adicionais e para acompanhar a prometida ida das equipes de manutenção aos locais.
Fonte de pesquisa: G1 piracicaba

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