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A Voz dos Bairros de Piracicaba

A História da Drogal: De Farmácia de Esquina a Gigante Regional

 

Como um sonho iniciado em 1935 transformou uma pequena farmácia piracicabana em uma das maiores redes do país, com 450 lojas e mais de 8 mil colaboradores


Era uma vez...

Assim começam as boas histórias. Das mais antigas às contemporâneas. 

E foi por esse caminho que Marcelo Cançado, um dos líderes do grupo Drogal, encontrou no escritor piracicabano Marcos Bulzara a fórmula para eternizar os 90 anos de um dos empreendimentos mais bem-sucedidos do ramo farmacêutico no interior paulista.

O livro, lançado no ano passado, não é uma obra corporativa comum, repleta de gráficos e balanços. 

É um romance familiar, daqueles que a gente lê e parece estar ouvindo histórias na varanda de casa, tomando café passado na hora. 

O encontro que mudou tudo

Tudo começou com um aperto de mãos. 

Em fevereiro de 1935, José Cançado encontrou-se com o amigo João Baptista Raya diante de um casarão na esquina das ruas Governador Pedro de Toledo e Moraes Barros, as duas principais vias do comércio piracicabano na época.

— É aqui? — perguntou João, com os olhos brilhando de expectativa.

— É aqui — respondeu José.

E naquele momento, sem alarde, sem manchetes, nascia a Farmácia do Povo.

José Cançado, que mais tarde seria conhecido simplesmente como Zé da Farmácia, vinha de uma família com tradição no ramo. 

Seu pai, Cyro Lopes Cançado, já tinha uma farmácia em Pitangui, Minas Gerais, e viu no filho a oportunidade de dar continuidade ao negócio. 

José, na verdade, sonhava em ser médico. Mas o destino, com sua sabedoria silenciosa, tinha outros planos.


Os fundos da farmácia

José e a esposa Leda foram morar nos cômodos dos fundos do salão comercial. Enquanto aprendiam o ofício, foram construindo também a família. 

Vieram os filhos: Ricardo, Ronaldo, Marcelo, Renata, Rodolfo e Eduardo. A farmácia crescia junto com as crianças.

Naquele tempo, farmacêutico não era apenas um comerciante. Era um parente próximo, um amigo da família, alguém que conhecia não só os males do corpo, mas também as histórias da alma. 

Não era raro Zé ser acordado no meio da madrugada por um cidadão com febre alta, uma criança com cólicas, um idoso precisando de injeção urgente. 

E ele atendia a todos com o mesmo sorriso largo e a mesma generosidade que virariam sua marca registrada.

Durante o dia, Zé pegava sua velha Kombi e enfrentava a estrada poeirenta até São Paulo. Ia buscar pessoalmente os medicamentos e insumos que seriam vendidos na sua loja. 

A viagem era longa, cansativa, mas necessária. Era assim que se fazia comércio naquele tempo: com as mãos no volante, o olho no negócio e o coração na missão de levar saúde ao povo.


A expansão

O negócio foi crescendo. O cunhado Paulo Lessa entrou na sociedade. 

Veio a aquisição da Droga Pires, na esquina da XV com a Moraes Barros. Depois, a grande virada: a reforma do prédio da Governador Pedro de Toledo, que ganhou três andares e uma arquitetura moderna para a época. 

Era um choque de novidade no meio dos casarões coloniais, e logo serviu de inspiração para que outros comerciantes também modernizassem seus estabelecimentos.

Foi também ali que nasceu a Alpha Medicamentos, um centro de distribuição que passou a atender não só as lojas da família, mas outras farmácias da cidade e região.

E as lojas foram se espalhando. Primeiro pelos bairros de Piracicaba. Depois, pularam a barranca do rio e ganharam as cidades vizinhas. Mais adiante, chegaram a Minas Gerais.

Hoje, a Rede Drogal conta com 450 farmácias espalhadas por São Paulo e Minas Gerais. São mais de oito mil colaboradores, quatro milhões de clientes e cinco mil convênios com empresas. 

A oitava rede farmacêutica mais bem administrada do país, segundo rankings do setor.

Nada mal para um sonho que começou numa esquina.


O último atendimento

Mas a história não seria completa sem falar do homem. E é aqui que o livro atinge seu ponto mais emocionante.

Marcos Bulzara descreve com delicadeza o último dia de trabalho de Zé da Farmácia. Era tarde da noite quando uma senhora chamada Aurora entrou na loja. 

Cliente antiga, conhecida de longa data. Zé atendeu-a com o mesmo sorriso de sempre, a mesma paciência, a mesma generosidade que dedicava a cada alma que cruzava sua porta. Despediu-se dela como quem se despede de uma irmã.

Depois, deu boa-noite aos funcionários, guardou o avental e foi para casa.

Na madrugada de 1º de maio de 2019, aos 84 anos, Zé da Farmácia partiu.

Adolpho Queiroz, jornalista, professor e grande amigo da familia, ao ler esse trecho, precisou parar. As lágrimas vieram sem pedir licença. 

Não era tristeza, explica ele. Era gratidão. Gratidão por saber que existem homens que passam pela vida deixando um rastro de luz. Homens que entendem que o comércio não é só comprar e vender, mas cuidar, acolher, fazer parte da vida das pessoas.



O legado

Os filhos de Zé entenderam isso melhor do que ninguém. Ainda em 2019, criaram o Instituto José Cançado, uma entidade sem fins lucrativos que mantém vivo o espírito generoso do fundador. 

O instituto apoia projetos sociais e culturais em Piracicaba e nas cidades onde a Drogal está presente:

  • Reciclagem de papéis, papelão e plásticos

  • Doações para entidades assistenciais

  • Apoio à Orquestra Sinfônica de Piracicaba

  • Projetos culturais diversos

A presidente honorária do instituto é dona Leda, a companheira de toda uma vida, a matriarca que viu o sonho crescer e se multiplicar. Na diretoria executiva, colaboradores diversos dão continuidade ao trabalho.


O futuro

O livro termina com uma linha do tempo que vai até 2026, quando o grupo projeta abrir sua 500ª loja. A meta é consolidar-se ainda mais entre as maiores redes de drogarias do Brasil.

Recentemente, a Drogal adquiriu o prédio onde funcionou o campus da UNIMEP, sinalizando novos planos de expansão e estruturação. 

A família Cançado segue firme no propósito de levar saúde e atendimento de qualidade a cada vez mais brasileiros.


Uma história que merece ser contada

Quem quiser conhecer mais detalhes pode procurar a entrevista que Marcelo Cançado e Marcos Bulzara concederam ao programa Café com Dorfo, no Portal Nova 15. 

Lá, eles falam sobre o livro, as memórias da família e os novos planos da empresa.

Adolpho Queiroz, que recebeu dois exemplares das mãos dos autores, resume assim sua experiência:

"Li num fôlego só, em duas manhãs. Parei na página 84. Derramei minhas lágrimas. E pensei comigo: é disso que a vida é feita. De histórias. De pessoas comuns que fazem coisas extraordinárias. De farmacêuticos que viram heróis sem tirar o avental. De famílias que transformam um pequeno comércio num legado de amor."

E foi assim, numa esquina de Piracicaba, num fevereiro distante, que tudo começou.

Era uma vez...


Frase que o fundador resumeria para tudo:

"Não desista de lutar por um mundo melhor, mesmo que o tempo passe e as coisas pareçam não mudar. Assim você faz a diferença na sociedade e contribui para a construção de um amanhã melhor." – José Cançado, o Zé da Farmácia.


Texto: Inspirado no artigo - A História de Um Sonho, Agora em Livro - Adolpho Queiroz / Jornal Folha de Piracicaba 


Por : José Santos (Maestro Cidão) - Publicitário/Jornalista - Mtb: 007.4524/SP 

 


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