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A Voz dos Bairros de Piracicaba

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A "Revolta da Caneta": Quando o Descontentamento da População Cobra a Conta no Acompanhamento das Urnas

 

População de  Piracicaba põe em ação a "Revolta da Caneta"





O resultado das urnas em Piracicaba não refletiu apenas o cálculo frio do quociente partidário; evidenciou também a chamada "revolta do eleitorado". 

A atuação parlamentar no âmbito local — marcada por desgastes com a comunidade, posicionamentos polêmicos na Câmara Municipal, fissuras políticas nas gestões municipais e promessas de campanha não cumpridas — pesou decisivamente na decisão de voto dos piracicabanos.

Para legisladores locais (vereadores em exercício e ex-vereadores) que tentaram dar o salto rumo à Assembleia Legislativa (Alesp) ou à Câmara dos Deputados, a resposta popular veio em forma de uma expressiva retração de votos no perímetro urbano e na insatisfação explícita nos bairros.

Vereadores e Ex-Vereadores Derrotados pelo Desgaste Mandatário

1. Fissuras com o Governo Executivo e Recusa do Eleitor do Bairro

  • Dr. Pacheco (Vice-Prefeito e Ex-Vereador): Com trajetória consolidada na Câmara Municipal e ocupando a vice-prefeitura, a tentativa de alçar voo rumo a Brasília como Deputado Federal sofreu um forte abalo nas urnas. 
  • A população cobrou os gargalos em áreas essenciais — como o atendimento na saúde pública e o abastecimento de água —, resultando em apenas 12,1 mil votos. A votação representou cerca de 20% do desempenho obtido por outras lideranças da mesma coligação, evidenciando o peso político das crises administrativas locais.

2. Polarização Política e Desgaste das Ideologias na Câmara

  • Rai de Almeida (PT - Vereadora em Exercício): Postulante à vaga de Deputada Federal, enfrentou intensa resistência do eleitorado conservador e moderado de Piracicaba. 
  • Única entre os candidatos a votar a favor da população nos assuntos polêmicos como por exemplo, o aumento do IPTU, porém devido a um momento marcado por constantes embates ideológicos, debates acalorados na Tribuna do Legislativo e alinhamento irrestrito às pautas partidárias nacionais, a vereadora sofreu com o desgaste; embora tenha tido a segunda melhor votação entre os vereadores, ficou  distante de atingir a votação necessária dentro do município.

3. Presença Discreta e Mudança de Grupos Políticos

  • Wagnão (PSD - Ex-Vereador): Ex-presidente da Câmara e figura tradicional na política piracicabana, tentou o retorno aos holofotes postulando a vaga de Deputado Estadual. 
  • No entanto, sofreu a rejeição de eleitores do antigo reduto e das bases comunitárias que apontaram afastamento das demandas populares após períodos de desgaste na gestão da Casa de Leis e migrações partidárias recentes. 
  • A falta de renovação do discurso e a quebra de identificação com o eleitorado mais jovem selaram sua derrota.

4. O Efeito do Voto de Protesto e a "Bronca do IPTU e do Esgoto"

  • Lideranças da Base Aliada na Câmara: Vereadores que disputaram voos estaduais mantendo apoio intransigente a projetos impopulares votados no plenário — como o reajuste das plantas genéricas do IPTU, reestruturação das taxas de saneamento e concessão dos serviços de água — amargaram rejeição nas seções eleitorais de bairros periféricos. 
  • A bronca do morador com o aumento no custo de vida local refletiu diretamente na baixa conversão de votos nas urnas. 
  • Paulo Camolesi (PSB): Ex-vereador e candidato a Deputado Estadual, obteve apenas 1.744 votos no estado, ficando na suplência. Tendo acumulado passagens por mandatos municipais, Camolesi enfrentou forte desgaste junto às suas antigas bases ecológicas e comunitárias. 
  • As sucessivas trocas de legendas (PV, REDE, PDT e PSB) e o distanciamento de pautas históricas cobraram seu preço nas urnas, resultando em uma votação bastante residual na cidade.

O Diagnóstico do Eleitor: Punição Local e Abstenção Recorde

A soma do descontentamento com a atuação dos parlamentares municipais gerou dois grandes fenômenos no pleito:

  1. Migração do Voto Local para Lideranças Regionais Certo: O eleitor preferiu concentrar seus votos em candidatos estaduais com serviços consolidados ou votação capilarizada no Estado (como Alex Madureira, Professora Bebel e Miguel Lombardi) do que apostar nos parlamentares que carregavam o desgaste do dia a dia da cidade.
  2. Abstenção e Votos de Protesto: Piracicaba registrou expressivos 71.908 eleitores ausentes (uma taxa de abstenção de 23,15%), demonstrando a apatia e a bronca de uma fatia considerável da população em relação aos nomes apresentados pelo cenário político local.


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